LIXO URBANO E SUAS CONSEQUÊNCIAS
ago 3rd 2009ricardoRicardo Cavichioli
LIXO URBANO E SUAS CONSEQUÊNCIAS
Eis uma questão que irremediavelmente aterroriza e assume cada vez mais notoriedade na mídia, a todo instante despertando a atenção da sociedade e pressionando as autoridades ambientais gestoras e do judiciário, acerca da coleta, transporte, despejo e tratamento adequado dos resíduos sólidos coletados diariamente nos milhares de municípios espalhados por este Brasil.
Quando nos referimos ao lixo, logo vem à tona, o seu destino e os dados revelam que 76% do lixo coletado no país ficam a céu aberto, ou seja, trata-se de 182.400 toneladas coletados diariamente e que não recebem o despejo e tratamentos adequados, já o restante que é enviado aos aterros controlados corresponde a 13% e aos aterros sanitários 10%, enquanto 0,9% chegam às usinas de compostagem e 0,1% aos incineradores, e uma insignificante parte é recuperada em centrais de reciclagem deste total. Isso representa uma perda por ano de R$ 4,6 bilhões de reais, dados de 1996, em relação ao não reaproveitamento do lixo que é produzido.
Todavia, em nosso município a situação não se difere muito desta nociva realidade do país, que possui em torno de 80 municípios brasileiros que realizam coleta seletiva, e em contrapartida 40% das cidades brasileiras não recebem nenhum serviço de coleta de lixo. Infelizmente, a administração de nossa cidade há décadas vem protelando o solucionamento definitivo do despejo irregular do lixo composto de materiais de toda natureza a céu aberto, sem haver licença ambiental para tal atividade, muito menos adequar-se a legislação ambiental pertinente e se enquadrar no modelo de aterro controlado. Afinal, para tanto deveria apresentar um planejamento detalhado da área, com licitação, empresa gestora responsável pelo tratamento destes resíduos, relatório de impacto ambiental, além dos investimentos necessários no local, como impermeabilização do solo, lagoas para drenagem do chorume, compactação do lixo, metodologia adequada para o tratamento do chorume, através de controle físico-químico, sistema de anaerobiose, e destino adequado do resíduo final (lôdo), além dos gases liberados na bioestalização do lixo orgânico, como biodigestores, evitando quaisquer agressões ambientais, sejam elas do solo, do ar, das águas subterrâneas e águas de superfície.
Contudo, a sociedade mariliense e todos aqueles que almejam deleitar de um ambiente salutar, aprazível e que não comprometa a sua saúde, deve e precisa se conscientizar da necessidade da coleta seletiva do lixo (resíduos sólidos), para que o mesmo seja reciclado, bem como a compostagem que nada mais é do que a decomposição da matéria orgânica para ser transformada em adubo, através do funcionamento de uma cooperativa devidamente estruturada para coletar e tratar o lixo do município, aumentando a vida útil do “aterro”, gerando emprego e renda, além de contribuir incontestavelmente com a preservação do meio ambiente.
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Dr. Ricardo Cavichioli Scaglion
Médico Veterinário
Membro da Associação Ambientalista de Marília
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